quinta-feira, 30 de julho de 2026

"SELMA" de Jutta Bauer

Autor: Jutta Bauer | Edição: Orfeu Negro

 O que é a felicidade? Uma questão de ética, genética ou sorte? De Aristóteles à ovelha Selma, neste pequeno livro cabe uma pergunta com mais de dois mil anos de história.

Era uma vez uma ovelha chamada Selma. De manhã, bem cedo, ela enchia a barriga com erva fresca. A seguir, até ao meio-dia, tagarelava com os filhos: Mé, mé, mé! Fazia um pouco de desporto, enquanto fugia da raposa, e depois comia mais uma boa porção de erva fresca. Ao pôr do sol, dava dois dedos de conversa com a dona Alice e, à noite, dormia que nem uma pedra. Certo dia, perguntaram-lhe o que mudava se tivesse mais tempo livre. Então e se ganhasse a lotaria?
 

Este pequeno livro é um convite irresistível para reflectirmos sobre aquilo que nos faz felizes e dá sentido aos nossos dias.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

"De Braços Abertos" de Antonio Rubio

Autor: Antonio Rubio | Edição: Kalandraka 

«Há cabelos escorridos ou encaracolados, cabelos como nuvem ou como trigo, cabelos em carapinha ou estremunhados. Há cores da pele tal qual o barro, cores de um crescente arco-íris, cores de vento, chuva, trovão, sândalo.»

De Braços Abertos apresenta a diversidade através do olhar das crianças, a partir de um dia na escola em que alunos de diferentes origens convivem felizes e em harmonia, partilhando jogos, melodias, sabores, danças… Essa multiculturalidade reflete-se nas suas fisionomias, nas respetivas línguas maternas e nos costumes de cada um.

Trata-se de uma riqueza valiosa que Antonio Rubio capta num belíssimo texto de tom poético, marcado pela subtileza. Nesta sala de aula, convivem crianças oriundas da Ásia, África, América, Europa Central… Num sugestivo paralelismo, o autor evoca criaturas marinhas e aves migratórias, que atravessam oceanos e céus sem fronteiras que limitem a sua liberdade.

Esta é uma ode à esperança num mundo mais unido e igualitário, enriquecida pelas belas ilustrações de Maria Girón, que traduzem a diversidade através de uma ampla paleta cromática e de cenas do quotidiano na escola com dinamismo e expressividade. 

Idade recomendada: 6 aos 10 anos 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

"Em Frente à minha casa" de Marianne Dubuc

                           Autor: Marianne Dubuc | Tradução: Joana Barata

Edição: Baduga

 "Numa pequena colina, atrás de uma cerca castanha, sob um grande carvalho está a minha casa. Em frente à minha casa uma roseira pequena. Em cima da roseira um pequeno pássaro. Por cima do pássaro uma janela. Atrás da janela o meu quarto. No meu quarto a minha cama. Debaixo da minha cama. Ufa! Nadica de nada.Ao lado do nada debaixo da minha cama (...)"

Tu podes fazer uma viagem surpreendente desde a tua própria casa, havendo imaginação suficiente. Um livro ilustrado pela artista canadiana Marianne Dubuc é uma celebração da imaginação de uma criança. Esta história começa e termina num jardim, mas pelo meio transporta o leitor para montanhas e cavernas misteriosas, o espaço sideral, o oceano, os contos de fadas e mais além. É uma jornada tão ilimitada e surpreendente quanto a imaginação das crianças. Miúdos e graúdos certamente vão adorar esta história e com certeza irão começar a inventar a sua própria.

Idade recomendada: 3 - 6 anos

terça-feira, 7 de julho de 2026

"Grande e pequena"

 

Texto: Arianna Squilloni | Ilustração: Raquel Catalina 

 Tradução: Ana M. Noronha | Edição: Kalandraka

"Natália tinha nascido numa casita de campo mesmo ao lado do bosque. Por ali cresceu, todos os anos um bocadito mais, até ao dia em que se deu conta de que a casa tinha ficado pequena para ela.

Foi então para a cidade, onde viveu muitos, muitos anos, durante os quais pôde não só crescer um bocadito mais, como também fazer uma infinidade de coisas. (...)"

Esta foi a obra vencedora do XVIII Prémio Internacional Compostela, perfeitamente integrada no conceito de álbum ilustrado, em que texto e ilustração se complementam de forma harmoniosa, desvela uma narrativa de subtil fundo poético e múltiplos níveis de leitura, ao longo da qual Squilloni aborda o tema do tempo e da memória, sem esquecer o da natureza ou da arte. Com uma composição que se destaca ainda pelos silêncios que convidam à reflexão sobre o sentido da viagem de vida da protagonista dialogam também as ilustrações de Raquel Catalina, ricas na sua diversidade de enquadramentos, perspectivas e sequências de imagens, e no contido uso da paleta cromática, em contraste com o tratamento do preto e branco. 

Uma comovente história de múltiplas leituras que aborda a passagem do tempo, a memória, a natureza, a arte e a inspiração. 

 Idade recomendada: a partir dos 6 anos.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

"ESTES SÃO OS DIAS"

            Autor: Ricardo Guerreiro Campos | Edição: Alfarroba
 

Em ESTES SÃO OS DIAS acompanha‑se o olhar de uma criança que fotografa e regista sensivelmente o mundo à sua volta: os pés, o céu, os lugares de afeto e os dias que quer guardar.

É uma narrativa focada no quotidiano e na beleza das pequenas ‑ grandes ‑ coisas, que se escolhem documentar para a posterioridade, para memória futura.

O ponto de partida é a coleção de fotografias tiradas pela filha do autor e sobre a qual se escolhe criar uma segunda camada de leitura: neste caso, o olhar do adulto sobre o olhar da criança. O autor é assim curador e criador de uma nova dramaturgia das imagens e da voz da criança, pintando e desenhando este olhar inaugural sobre o mundo.

 
Ricardo Guerreiro Campos é artista‑educador e investigador, e tem colaborado com diversas estruturas de criação artística e investigação que desenvolvem trabalho entre as artes visuais, a performance, o teatro e a educação.

 Nos últimos anos tem também desenvolvido a sua própria investigação artística e pedagógica sustentada numa relação de escuta com a infância, ativando a voz, o corpo e a memória.

Idade recomendada:  2 anos - 6 anos